De um modo muito simples, o vídeo acima explica a diferença essencial entre o Cristianismo e as outras doutrinas.
O mundo é grande demais, menino!!!
De um modo muito simples, o vídeo acima explica a diferença essencial entre o Cristianismo e as outras doutrinas.
O programa “A tarde é sua”, de Sônia Abrão, abriu espaço para as declarações do ex-padre Osiel Luiz dos Santos, de Goiânia, casado desde 1988 e pai de cinco filhas. Acostumado à incontinência verbal da apresentadora, não me surpreendi quando a dita defendeu com afinco as posições do ex-padre. A Igreja, como de costume, surge como a vilã da história, a intolerante, a inquisidora. Assim tem sido o enfoque da maior parte da imprensa: dar espaço para o ex-padre e pintar a Arquidiocese de Goiânia como intransigente. É incrível como, em questões assim, alguns jornalistas se tornam especialistas em Catolicismo. E, de antemão, escolhem o um lado, no caso, o de Osiel Santos, que não conseguiu manter os seus votos.
Sim, Osiel não manteve os votos, que são, antes de tudo, resultados de uma escolha. A vida sacerdotal é um chamado. Aceita-se ou não. Ninguém é forçado a se tornar padre. Mas, ao se optar por essa vida, o cristão tem de cumprir algumas exigências. O celibato, a castidade e a obediência são algumas delas. Como se vê, Osiel não cumpriu as promessas que fez quando de sua consagração sacerdotal. Casou-se, rompeu com a castidade, e se tornou desobediente, pois, à revelia da Arquidiocese, continuou a ministrar os sacramentos, como se estes fossem dissociados da Igreja. Ao ministrar batismos e casamentos, tomando como justificativa o discurso de que a Deus pertencem tais sacramentos, o ex-padre dissocia Jesus de Sua Igreja. Em outros termos, afirma que Jesus não é a Cabeça do Corpo, que é a Sua Igreja, fundada sob a pedra, que é Pedro, a quem Jesus deu as chaves do céu, ou seja, a autoridade para ligar ou desligar, na terra como no céu. Osiel, por sua desobediência às exigências do sacerdócio, foi desligado de suas funções. Sua insistência em exercer funções concernentes ao sacerdócio, mesmo tendo constituído família, é, pois, um escândalo.
Há vários ex-padres. Alguns abandonaram o Catolicismo e abraçaram outras doutrinas. Outros permanecem no redil, vivendo com dignidade. A verdade é que a Igreja não expulsa quem abandona a vida religiosa; como Mãe que é, não deixa ao largo os seus filhos. Exige, apenas, uma vida santa, segundo os ditames do Evangelho. O problema de Osiel é que ele quer permanecer casado e exercer o sacerdócio, o que é incompatível com as regras do Catolicismo. Não adianta, como Osiel alardeou no programa de TV, ter apoio popular para a sua causa. A Igreja não é democrática. Ela é hierárquica e suas decisões não são tomadas a partir da voz das urnas.
A Igreja é um Corpo. Jesus é a Cabeça. A democracia pode funcionar como sistema político, mas, na religião cristã, é impraticável. Jesus é a Verdade. E é Verdade Eterna. Em tempos relativistas como os atuais, muitos crêem que a Igreja deve se adaptar à realidade, que ela é retrógrada, e deve se modernizar. Mas, mesmo sendo feita de homens, a Igreja, em sua essência, é divina, visto que fundada por Jesus. E, sendo divina, é santa. E a santidade não está presa aos conceitos da contemporaneidade.
Ao falarmos de Jesus, falamos do que é eterno. E o eterno não muda.
O que Osiel prega, no fundo, é que o eterno seja subjugado pelo transitório. Cheio das idéias da teologia da libertação, esse ex-padre sugere um rompimento com o Magistério da Igreja e apóia uma igreja popular, democrática, sem hierarquia. Grosso modo, quer uma igreja socialista. E, em sua visão, a hierarquia católica surge como o opressor e ele, um padre afastado de suas funções, como o oprimido. Eis a luta de classes. Osiel pretende uma igreja reformada, o que é um absurdo, uma vez que não se pode reformar o eterno.
O caso do ex-padre Osiel nos mostra o quanto o catecismo é desconhecido para muitos que se dizem católicos. É de minha opinião que o Concílio Vaticano II trouxe, junto com o tal aggiornamento, um afrouxamento brutal da catequese. Idéias que antes eram combatidas pelo Catolicismo entraram furtivamente na pregação de vários religiosos. Muitas mentiras contra a Igreja (a Inquisição, por exemplo) foram abraçadas por muitos católicos como se verdade fossem. Lentamente a Igreja foi colocada como culpada pelos grandes males do mundo. E o ex-padre Osiel se aproveita dessas brechas para vender o seu peixe estragado. E com isso ministra sacramentos, e os considera válidos, como se uma maçã pudesse surgir no ar, sem estar ligada aos galhos da macieira.
Eis o cerne da discussão: Osiel é uma vítima do relativismo de nossos tempos. Cego por discursos anticatólicos, tenta conduzir outros cegos. Para ele, o eterno, a cruz sempre firme do Catolicismo, é apenas e tão-somente uma leitura fundamentalista do Evangelho. Por isso age e fala tolices com uma empáfia dos ignorantes. Pobre Osiel! Foi padre, mas, ao que tudo indica, jamais foi verdadeiramente católico.
É uma leitura. E, como toda leitura, existe para ser contestada. Mas ela não nasceu por acaso.
As telenovelas brasileiras são famosas por difundirem modismos e por refletirem temas candentes de nossa realidade. Algumas até acabam gerando pautas de discussão. Uma novela como “Escalada”, por exemplo, colocou na casa das pessoas a discussão sobre a legalização do divórcio, numa época em que isso era proibido. Muitos dizem que as novelas alienam as pessoas, mas, em uma análise mais profunda, podemos ver que elas nada mais são que reflexos do estado de espírito do brasileiro. Mais do que histórias água-com-açúcar e fantasiosas, as telenovelas mostram, muitas vezes sutilmente, uma leitura da situação do país. É o caso de grandes sucessos como “Saramandaia”, “O bem amado”, “Pecado capital”, “Vale tudo”, “Roque Santeiro”, “Gabriela”, “Pátria minha” etc.
No caso de “A favorita”, novela de João Emanuel Carneiro, temos alguns personagens interessantes: Romildo Rosa, o epítome de um certo tipo de político brasileiro; Ariovaldo Copola, o velho comunista, pintado em cores ternas pelo autor; Orlandinho, um gay recém-assumido; Halley, um malandro de bom coração; Dodi, um malandro de má índole; Leonardo, um operário que bate na esposa; Maria do Céu, uma alpinista social; Cilene, uma cafetina; etc. São personagens que, de modo estereotipado, criam uma paisagem variada da sociedade brasileira. O autor se permite a algumas subversões: a família Rosa é formada por negros e é muito rica, por causa das falcatruas do seu patriarca; o operário Leonardo é um monstro insensível e sua violência não é justificada; as prostitutas da casa de Cilene são bem resolvidas e até felizes; a rica Donatela é a mocinha, enquanto que a “pobre” Flora é a grande vilã da trama, uma Hannibal Lecter de saias.
É aqui que entra a minha teoria: na relação entre Flora e Donatela.
Na paleta do autor, o ódio de Flora por Donatela é justificado pelo fato de esta ser sempre “a favorita”. Donatela sempre superou Flora: em casa, era mais querida pelo pai de Flora; na dupla sertaneja, tinha mais carisma; no amor, ficou com o melhor partido, Marcelo Fontini; e, após a morte deste, cuidou da filha dele com Flora. Nos dias de hoje, Lara, a filha de Flora, ama Donatela como se ela fosse a sua mãe de verdade. Como se vê, um dramalhão que faz jus à música de abertura: um tango eletrônico do grupo Bajofondo. Mas uma outra leitura é possível.
No início da novela, a maior parcela do público torcia por Flora. A sua versão dos fatos parecia mais verossímil. Seu ar sofrido, sua postura sempre tranqüila e seu modo de se portar contrastavam com Donatela, uma mulher rica, fútil e casada com um canalha, Dodi. Ao saber da libertação de sua inimiga, Donatela passou a vigiá-la, o que aumentou as suspeitas do público sobre a personalidade da ricaça. O autor, usando o recurso da elipse e se negando a mostrar os fatos passados, construiu um confronto no qual aparentemente havia uma oprimida e uma opressora. Com o tempo, o autor foi desmontando o que havia construído no começo: Donatela não era tão má assim; Flora não era tão honesta quanto parecia. Em pouco tempo, o público já não sabia para quem torcer.
Em um capítulo decisivo, o autor revelou os fatos: Flora é verdadeiramente uma assassina. E Donatela, vítima de uma armadilha, perdeu a sua liberdade. É precisamente nessa reviravolta que está a minha teoria.
Olhemos para a história recente do Brasil.
Durante anos vivemos sob a chamada “ditadura militar”. Em 1964, os militares tomaram o poder no Brasil. Os livros de história dizem que o governo militar instaurou um regime violento, marcado por perseguições, torturas e censura. Hoje se alardeia que alguns “heróis” lutaram em defesa da democracia. E alguns até pagaram com a vida por isso. Outros foram exilados. Alguns foram presos. Uns até mudaram de rosto e de identidade.
Os que sobreviveram aos “anos de chumbo” estão muito bem hoje; alguns até receberam gordas indenizações. Presidentes como Costa e Silva, Médici e Geisel são, em maior ou menor grau, demonizados nos dias de hoje. E isso é ensinado nas escolas, nas universidades e alardeado na voz dos artistas “engajados”.
Ao que parece, os “heróis” que resistiram à “ditadura militar” foram perseguidos injustamente. E o governo militar, como um monstro assassino, cometeu as piores atrocidades. Os “heróis” queriam a democracia. Os militares, o controle absoluto.
O que os livros escondem, ou disfarçam, é que os “heróis” queriam implantar no Brasil um regime semelhante ao cubano, ou seja, o comunismo, sob cuja bandeira mais de cem milhões de pessoas foram mortas só no século XX. Algo como os gulags soviéticos, os paredóns cubanos e o grande salto chinês de Mao Tse-Tung seria implantado em nosso país tropical, se os militares não tivessem agido naquele aziago ano de 1964. Esconde-se também que, na luta pela defesa desses ideais, os “heróis” recorriam a métodos violentos: seqüestros, assaltos, atentados a bomba, assassinatos. Em suas ações, muitos civis terminavam feridos ou mortos. O atentado do aeroporto de Guararapes, no Recife, em 1966 e o ataque ao quartel-general do II Exército em São Paulo, em junho de 1969, são fatos incontestáveis: os “heróis” estavam dispostos a matar. Como um governo reage a uma ação terrorista? Com repressão, é lógico. E cumpre dizer que boa parte desses “mocinhos” recebeu treinamento em Cuba, e eles conheciam táticas de guerrilhas, sabiam manusear e fabricar armas e explosivos, entre outras coisas. Em termos menos gentis, eram terroristas.
Alguém pode afirmar que a reação militar foi desproporcional; mas, se o rato sabe de sua fraqueza, por que ousa desafiar o leão? O governo militar reagiu à agressão dos terroristas.
Hoje os terroristas de ontem estão no poder. E os militares da época são pintados como seres insensíveis e assassinos. Naqueles terroristas eu vejo a Flora, interpretada por Patrícia Pillar.
Assim como Flora, os terroristas de ontem distorcem a história, de modo a extrair uma realidade que lhes seja mais palatável. Para isso, suprimem fatos, mudam as palavras e transformam em vilão quem os combateu. Consideram-se inocentes e vítimas. E colocam a sua dor como merecedora de toda a compaixão do mundo. Em outros termos, sofrem de um tanto de sociopatia, são ególatras, e parecem não ter consciência moral.
Os militares, que salvaram o país de um mal maior, agora são obrigados a ficar escondidos em suas casernas. Como Donatela, têm de ficar pelos cantos, fingindo-se de mortos.
Em algum momento, torcemos por Flora, pois não sabíamos da inteireza dos fatos. Do mesmo modo, aprendemos por intermédio de uns “iluminados” que o regime militar foi uma ditadura, e que os terroristas nada mais eram que guerreiros da liberdade. É fato que, entre eles, houve muita bucha de canhão, muitos inocentes que abraçaram sem conhecer a fundo um ideal criminoso. Mas isso não retira o sangue de suas mãos.
Não podemos persistir no erro. Sabemos quem são os que desprezam a vida, os que mentem. É hora de empurrá-los para o gulag do esquecimento.
O texto a seguir é do pastor Ricardo Gondim. Apesar de ser um autor protestante, a sua visão sobre o frenesi neopentecostal é bastante coerente, por isso tomo a liberdade de publicá-lo aqui neste espaço. Eis o tipo de cristianismo que igrejas como a IURD “vendem”.
O culto pegava fogo. O frenesi do povo crescia, estimulado por um pastor quase grisalho, engravatado e com bastante brilhantina nos cabelos. Mesmo acostumado a ambientes pentecostais, estranhei o exagero dos gestos e das palavras. Concentrei-me para entender o que o pastor dizia em meio a tantos gritos. Percebi que ele literalmente dava ordens a Deus. Exigia que honrasse a sua Palavra e que não deixasse “nenhuma pessoa ali sem a bênção”.
Enquanto os decibéis subiam, estranhei o tamanho da sua arrogância. A ousadia do líder contagiou os participantes. Todos pareciam valentes, cheios de coragem. Assombrei-me quando ouvi uma ordem vinda do púlpito: “chegou a hora de colocarmos Deus no canto da parede; vamos receber nosso milagre e exigir os nossos direitos”. Foi a gota d’água. Levantei-me e fui embora.
Os ambientes religiosos neopentecostais se tornaram alucinatórios porque geram fascínio por poder e pela capacidade de criar um mundo protegido e previsível. Por se sentirem onipotentes, buscam produzir uma realidade fictícia. Para terem esse mundo hipotético, os sujeitos religiosos chegam ao cúmulo de se acharem gabaritados para comandar Deus. É próprio de a religião oferecer segurança, mas os neopentecostais buscam produzir garantia existencial com avidez.
Em seus cultos, procuram eliminar as contingências, com a imprevisibilidade dos acidentes e os contratempos do mal. Acreditam-se capazes de domesticar a vida para acabar com possibilidade dos seus filhos adoecerem, das empresas que dirigem falirem e de se safarem, caso estejam no ônibus que despenca no barranco. Almejam uma religião preventiva, que se antecipa aos solavancos da vida. Imaginam-se aptos para transformar a aventura de viver em um mar de almirante ou em um céu de brigadeiro.
Acontece que essa idéia de um mundo sem percalços não passa de alucinação. Por mais que se ore, por mais que se bata o pé dando ordens a Deus, o Eclesiastes adverte: “o que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo” (9.2).
Mas a pergunta insiste: por que os cultos neopentecostais lotam auditórios e ganham força na mídia? Repito, pelo simples fato de prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã; de eliminar os infortúnios e canalizar as bênçãos de Deus para o presente. Quando oram, pretendem gerar ambientes pretensiosamente capazes de antever quaisquer problemas para convertê-los em fortuna e felicidade.
Esta premissa deve ser contestada. Pois, pedir a Deus para nunca se contrariar, ou para ser poupado de acidentes, significa exigir que Ele coloque os seus filhos em uma bolha de aço. A vida é contingente. Tudo pode ocorrer de bom e de ruim. Uma existência sem imprevisibilidade seria maçante. O perigo da tempestade, a ameaça da doença, a eminência da morte fazem, inclusive, o dia a dia interessante.
A verdade não produz necessariamente felicidade. Verdade conduz à lucidez. O delírio, porém, tranqüiliza e gera um contentamento falso. Muitos recorrem à religião porque desejam fugir da verdade existencial e se arrasam porque a paz que a alucinação produz não se sustenta diante dos fatos.
Cedo ou tarde, a tempestade chega, o “dia mau” se impõe e o arrazoamento do religioso cai por terra. Interessante observar que Jesus nunca fez promessas mirabolantes. Como não se alinhou aos processos alienantes da religião, Jesus não garantiu um mundo seguro para os seus seguidores. Pelo contrário, avisou que os enviaria como ovelhas para o meio dos lobos e advertiu que muitos seriam entregues à morte por seus familiares. Sem qualquer rodeio, afirmou: “no mundo vocês terão aflições”.
Quando o Espírito conduziu Jesus para o deserto, o Diabo lhe ofereceu uma vida segura, sem imprevistos. As três tentações foram ofertas de provisão, prevenção e poder. Cristo, porém, as rechaçou porque eram mentiras. O mundo que o Diabo prometeu não existe.
Acontece que as pessoas preferem acreditar nas suas ilusões. Fugir da crueza da vida é uma enorme tentação. Em um primeiro momento, parece cômodo refugiar-se da realidade, negando-a. É bom acreditar que a riqueza, a saúde, a felicidade estão pertinho dos que conseguirem manipular Deus.
O mundo neopentecostal se desconectou da realidade. Seus seguidores vivem em negação. Não aceitam partilhar a sorte de todos os mortais. Confundem esperança com deslumbre, virtude com onipotência mágica, culto com manipulação de forças esotéricas e espiritualidade com narcisismo religioso.
Os sociólogos têm razão, o crescimento numérico dos evangélicos não arrefecerá nos próximos anos. O problema, entretanto, é qualitativo. Assim, o rastro de feridos e decepcionados que embarcaram nessas promessas irreais já é maior do que se imagina.
A demanda por cuidado pastoral vai aumentar. Os egressos do “avivamento evangélico” baterão na porta dos pastores perguntando: “por que Deus não me ouviu?” ou “o que fiz de errado?”. Será preciso responder carinhosamente: “não houve nada de errado; Deus não lhe tratou com indiferença; você apenas alucinou sobre o mundo e misturou fé com fantasia”.
Soli Deo Gloria.
Muito rapidamente, entre uma zapeada e outra, vi a reportagem do Jornal da Record (16/09) sobre a descriminalização do aborto. Como já era de se esperar, a emissora do Edir Macedo já se posiciona de maneira favorável ao extermínio de crianças. No pouco que vi, a reportagem recorre à vitimização das mães que abortam (o velho papo do “açougue”) e encerra com o depoimento do médico (?) José Aristodemo Pinotti, que soltou uma pérola do nonsense:
- Sou totalmente contra o aborto, mas sou favorável à descriminalização do aborto.
Se substituirmos a palavra “aborto” por “roubo”, “assalto”, “tortura”, “pedofilia”, “genocídio” ou “estupro”, por exemplo, veremos o quanto é absurda a frase acima. Aliás, também absurda é a frase-clichê do ministro Temporão:
- O aborto é uma questão de saúde pública!
Gravidez virou doença, pensa o ministro do governo petista. Se a liberação do aborto é a garantia de que milhares de mulheres não vão morrer nas mesas dos aborteiros, deve-se também liberar o roubo. Afinal, outro dia mesmo, aqui em Porto Velho, um ladrão morreu ao trocar tiros com a polícia, e quantos ladrões morrem durante os roubos neste país? Centenas. Milhares. Sem contar os que ficam aleijados. Logo o roubo é uma questão de saúde pública. Descriminalizemos o roubo!
O ministro José Gomes Temporão é um caso estranho: trata-se de um ministro da saúde que prega a morte (dos fetos) como um bem (para a mãe). E não há saúde na morte…
Coincidentemente (ou não), mais tarde, ao zapear, dei de cara com o Programa Jogo de Cintura, do Amazonsat, cujo tema de debate era… a descriminalização do aborto! Entre os debatedores, havia uma “católica pelo direito de decidir” e uma “ativista social”, ambas interessadas no “bem” das mulheres. E um promotor de justiça, cujo posicionamento contrário à descriminalização do aborto era apresentado sempre de forma direta e contundente. Sem muitas novidades, o debate cristalizou em mim uma certeza: o discurso pró-aborto é sempre o mesmo, as razões são sempre as mesmas. Os dados estatísticos (tirados sabe-se lá de onde), idem. E as desculpas: se a maioria da população brasileira não admite o aborto, é porque falta cultura a esse povo. Segundo as abortistas, é preciso investir numa mudança de paradigmas, de percepção, e afastar o prisma religioso da questão. Repetiu-se ainda a velha história de que a mulher tem direito ao seu próprio corpo. O promotor apontou para uma questão ética: que o corpo é da mulher, isso é um fato; mas e a criança? Ela também não tem direitos? Ao fazer esse questionamento, o homem do Direito deixou claro que a questão não é tão simples como querem os abortistas. É preciso definir o momento no qual o feto passa a “ser gente” e ter direito à vida, o que é garantido pela Constituição.
Portanto o direito da mulher deve ser relacionado ao direito do bebê. Reza o velho aforismo: o direito de um acaba quando começa o do outro. Logo o direito da mulher, mãe, não pode sobrepujar o direito da criança.
A lei já garante à mulher o direito ao aborto em caso de estupro ou risco de morte. Mas tal não pode ser concedido de maneira atabalhoada justamente para que sejam evitadas as fraudes (falsos estupros etc). Como se vê, a liberação do aborto é antes de tudo uma questão ética e jurídica, indo além de um mero posicionamento religioso.
(No caso de liberação do aborto em caso de estupro, existe uma questão candente: ocorre um crime – o estupro – e sua conseqüência é uma gravidez. O estuprador, quando apanhado, é julgado e passa uma temporada na cadeia. A mulher aborta a criança indesejada. Ou seja, o estuprador cumpre pena na prisão. A vítima do estupro passa pelo trauma do aborto. E a criança, que teve o azar de ser gerada em tais circunstâncias, é condenada à morte. Sim, existe pena de morte no Brasil…)
O nobre promotor de Manaus (de quem, me desculpem, vou ficar devendo o nome…) alertou ainda sobre o Relatório Kissinger, datado de 10/12/1974. Neste relatório afirma-se que o crescimento da população mundial é uma ameaça para os Estados Unidos, e que é preciso controlá-la por todos os meios: anticoncepcionais, esterilização em massa, criação de uma nova mentalidade contra a família numerosa, investimento maciço de milhões de dólares em todo o mundo. O Brasil surge no documento como um país-chave: seu rápido crescimento econômico poderia ameaçar os interesses do governo americano, pois poderia se tornar uma grande influência na América Latina. O relatório afirma: “Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: - nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto” (Página 182). Logo, a defesa do aborto não é um exercício de boa vontade por parte de alguns bons samaritanos: faz parte de um plano político há tempos gestado nos gabinetes da Casa Branca. A própria ONU tem posicionamentos francamente abortistas. Logo, se o povo brasileiro optar pela não-liberação do aborto, mas, ainda assim, sofrer pressões externas, estaremos diante de um caso de ameaça à soberania nacional.
Como se vê não há nada de simples e fácil na discussão sobre o aborto. E as intenções dos abortistas não são as melhores: quando não são ilógicas, são cheias de segundas intenções. É importante lembrar que as organizações pró-abortos são mantidas por fundações e entidades, que investem muito dinheiro em suas atividades. E isso não é um exercício de caridade. Há interesses maiores por trás dessa discussão. O que temos é de estar bem informados. E prontos para defender o que é certo.
O texto abaixo é de autoria do Eduardo Nunes, do blog Periscópio (http://operiscopio.wordpress.com) e é uma paulada na moleira dos que acreditam na tal educação progressista. Deleite-se!
Ontem, o C. Cardoso escreveu um post sobre a Educação, o Universo e Tudo Mais, destacando a pobreza do nosso ensino e, por extensão, a tosquice da nossa economia em relação a outros países.
Pouca gente sabe, mas o ensino no Brasil só é tão ruim porque é bom demais.
Sim, você não sabia? Nós temos a melhor educação do mundo, segundo os pedabobos pedagogos e antropólogos imbecis nefelibatas que ditam os rumos.
Todos lembram daquele padrão de escola tradicional: carteiras enfileiradas, alunos em silêncio e de cabeça baixa, todos vestidos em tons escuros, todos escrevendo, escrevendo, escrevendo. A professora, deus-nos-livre! Mulher implacável, juíza do bem e do mal, pronta para punir qualquer gaiato que pergunte as horas ao colega ou que deixe de copiar para ler um romance de faroeste. Sentada na sua cadeira, ela fiscaliza tudo, espreitando por cima dos óculos. De repente, levanta e dispara a pergunta à queima-roupa: Joãozinho, quem descobriu o Brasil?
Num belo dia (ou em vários belos dias, pois falamos de várias pessoas em tempos diferentes), pensadores pensaram demais e concluíram que esse modelo de escola é prejudicial, pois limita, oprime, tolhe, molda, cerceia, escraviza, atrofia as pobres mentes das criancinhas. Repetir que “bê mais a é igual a bá” virou pecado dos gravíssimos. Falar de coisas de fora do contexto imediato do aluno tornou-se delito passível de pena de morte. Decorar regras de gramática, a tabuada y otras cositas passou a ser considerado crime contra a humanidade.
No Brasil, muita gente entrou em polvorosa com essas teorias. Estava aí a saída! E tivemos um agravante bastante… grave: o país era regido por uma ditadura militar de direita, que coordenava a rede de ensino. Logo, a educação tradicional passou a ser identificada como instrumento de doutrinação do regime (e realmente era, até certo ponto). Logo, ser contra a ditadura significava ser contra o bê-a-bá, contra decorar a tabuada, contra fazer ditados e sabatinas.
Findo o regime militar, tratou-se de implodir o modelo vigente de ensino. Era cool ser progressista, ser construtivista, ser interacionista, ser freireano, ser piagetano, etc. O importante era que a escola fosse prazerosa e que se aprendesse “CONSTRUINDO O CONHECIMENTO”. Punir a indisciplina dos alunos foi confundido com autoritarismo de direita. Reprovar os que não aprendem foi confundido com autoritarismo de direita. Escrever as notas abaixo da média com caneta vermelha também não pode, pois traumatiza os coitadinhos, além de ser autoritarismo de direita. Mandar decorar as capitais dos Estados do Brasil, adivinhe: é autoritarismo de direita. Cantar o Hino Nacional, então, é o mais terrível exemplo de autoritarismo de direita! É coisa de milico! “Tradicional” virou xingamento, tornou-se sinônimo de “Fascista”
Temos, desde então, a melhor educação do mundo inteiro. Sim, do mundo inteirinho. Nossos métodos são inovadores e sintonizados com a vanguarda do pensamento pedagógico. Nossos alunos não podem mais ser punidos, pois temos a legislação “mais moderna do mundo” para a área. Privilegiamos a riqueza da experiência dos educandos, a construção pessoal e prazerosa do conhecimento, e nossos alunos nunca estiveram tão mal. Nunca, em toda a História.
Quem é professor sabe: a maioria dos estudantes brasileiros sai da 8ª série sem capacidade para resolver um problema matemático de 4ª série ou para entender um texto infantil. Eles não ficam mais lendo romances de faroeste na sala de aula, porque simplesmente não lêem mais nada. Escrever, então, nem pensar. Eles cometem tantos erros de ortografia e concordância, são tão incapazes de se expressar por escrito, que poderiam ser considerados analfabetos no sentido clássico, e não “analfabetos funcionais, como reza a atual nomenclatura. É duro admitir, mas foi nisso que a Educação Progressista nos transformou: num país de analfabetos.
Ao mesmo tempo, citam-se os exemplos de países que vão bem na educação, como a Finlândia, a Coréia do Sul, o Japão. Entrem numa sala de aula desses países e vejam se lá essas teorias de merda libertadoras têm vez. E não adianta dizer que a educação de lá é melhor por causa do dinheiro e da tecnologia. A educação dos países de ponta é melhor porque lá se sabe que só aprende quem estuda. Lá a educação é voltada para RESULTADOS, pois SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM. Eu disse: SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM.
Vivemos aqui também um boom tecnológico. A tal inclusão digital já chegou nas periferias. Quase todos os meus alunos pobres usam computador, seja em casa ou nas lan houses. Mas usam apenas para acessar o Orkut (onde escrevem coisas como “eu é minha amiga adoro ela nós samos show” e o MSN (onde usam nicks como “ale to na pista pra negosio“). Não nos falta tecnologia. Falta rumo.
O futuro da Educação está numa volta ao passado. Não para andarmos pra trás, mas para voltarmos a fazer coisas que antes davam certo, adaptando-as ao invés de implodi-las. Comparem um aluno de 4ª série dos anos 50 com um aluno de 8ª série de hoje e veremos qual é o modelo que realmente funciona.
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