“Medo da verdade” (Gone baby gone) é a estréia de Ben Affleck na direção de um filme. Sendo um ator apenas razoável, ruim às vezes, Affleck se revela um diretor bastante promissor nessa adaptação de um livro de Dennis Lehane (autor de “Sobre meninos e lobos”). O que a princípio parece ser apenas mais uma aventura policial se torna, com o decorrer das investigações, um caso muito mais profundo sobre a ética, a busca da verdade e a justiça.

Diferente de outros thrillers presentes no mercado, “Medo da verdade” se sustenta pelo talento de seu elenco e pela força de sua história. A aparente lentidão da narrativa (se comparada aos Speed Racers da vida) permite ao espectador conhecer os personagens, suas intenções e mentiras.

Ben Affleck extrai do elenco excelentes atuações. Casey Affleck, irmão de Ben, se sai muito bem como o protagonista, que, em dado momento, tem de tomar uma decisão que pode lhe custar muito caro. Morgan Freeman e Ed Harris são indiscutivelmente dois dos melhores atores do cinema americano e defendem seus personagens com vigor. Michelle Monaghan surpreende com uma personagem aparentemente frágil, mas capaz de gestos corajosos. Amy Ryan, a mãe da menina seqüestrada, concorreu ao Oscar de atriz coadjuvante. Sua personagem é o eixo da trama.

Com um final arrasador, daqueles de deixar o espectador se perguntando sobre o que é justo e o que é certo, “Medo da verdade” foi lançado no Brasil diretamente em DVD e é um filme desde já imperdível.