Russel Crowe

O diretor James Mangold é famoso por sua versatilidade. É o sujeito que não está interessado em inventar a roda, mas entrega sempre produtos de boa qualidade. Diretor de filmes díspares como “Garota, interrompida”, “Identidade”, “Johnny & June”, “Copland”, “Tudo para ficar com ele” e Katie & Leopold”, Mangold refilma o western de Delmer Daves, “Galante e sanguinário”. “Os indomáveis”, estrelado por Russel Crowe e Christian Bale, é um western clássico, com direito a tiroteios, explosões, cavalgadas, traições, torturas, exaltação à família e discussões sobre a coragem e a mentira.

Uma atuação soberba de Russel Crowe quase consegue nos distrair em relação à grande falha na construção de seu personagem, Ben Wade, que, ao término da sessão, parecerá ao espectador mais atento um tanto esquizofrênico.

O Dan Evans de Christian Bale, por sua vez, é um personagem melhor talhado. Apesar de um tanto passivo e fraco, em contraponto à exuberância de Wade, o fazendeiro Dan Evans acaba por se tornar o herói da trama, apenas pelo simples fato de não fugir à luta. Lembro-me que muitos criticaram o pianista de Adrien Brody, no filme de Roman Polanski, por sua passividade. É fácil acusar o personagem de Bale por essa mesma fraqueza, mas, segundo o roteiro, ele acaba por triunfar sobre o galante criminoso. Só não fica bem claro como e por quê.

Apesar disso, ”Os indomáveis” é um western como há tempos não se faz. Dramático, pungente às vezes, engraçado em outros momentos, apesar de requentar uma série de fórmulas do velho bangue-bangue.

É necessário observar a atuação de Ben Foster, um ator realmente promissor. Seu Charlie Prince é um dos vilões mais perversos dos últimos tempos e sua aparente fragilidade (magro com voz fina) esconde uma alma perturbadoramente cruel. Sua relação com Ben Wade é um dos trunfos da trama, guardando uma conotação às vezes paternal às vezes homoerótica.

Tivesse um final melhor elaborado, “Os indomáveis” entraria facilmente no rol dos melhores filmes dos últimos dois anos.