Como um vício invisível, o marxismo intoxica as idéias. Repetimos slogans e achamos se tratar de verdades absolutas. Eu cri que tudo era culpa do sistema: os opressores oprimiam os oprimidos. Assim sempre. Desde o princípio dos tempos. Essa era uma ladainha que eu recitava.

E eu fazia questão de ser politicamente correto. Essa palavra pode! Essa não pode! Triste de mim: acreditava que as palavras eram mágicas o suficiente para mudar o mundo. Bastava alterá-las e o mundo mudava.

Mal sabia eu que mudar as palavras é encobrir a verdade.

Eu era marxista. Apesar de não entender nada de marxismo, eu o era.

E muitos o são, sem perceber. Há católicos que são menos cristãos que marxistas. Há direitistas que são marxistas (pois nem sabem o que é ser de direita). Há feministas que dizem lutar pela causa da mulher, mas, na verdade, lutam pela causa marxista. Há negros que acreditam dignificar a própria raça e dignificam Marx, que, mais tarde, vim a saber era um tremendo racista. Há cantores que acreditam na liberdade em suas canções, mas pregam Marx e sua idéia-prisão. Há poetas que se acham livres, mas carregam o jugo das idéias de Marx.

Uns dizem que Marx clareia o Evangelho de Cristo. Outros, que não sabemos viver o comunismo, pois estamos infectados pela civilização judaico-cristã.

E eu dizia que o catolicismo era mau. Os católicos eram hipócritas. Coitada da minha mãe, católica de terço na mão e devoção aos santos: eu a chamava de hipócrita…

E como eu era tolo, meu Deus! Como era tolo…

Foi preciso que algumas verdades fossem esfregadas em minha cara!

Foi preciso que eu compreendesse um pouco mais a máquina do mundo!

Hoje estou cada vez menos marxista… Filtro as idéias! Penso duas vezes! Duvido do mugir das vacas sagradas…

Descobri outro modo de cantar! E é bem mais bonito, pois é bem mais livre!

Pássaros…