Fui espírita kardecista por uma tarde.
Há vinte anos atrás, uma amiga espírita me convenceu a participar de uma sessão. Fui, em consideração a ela e à minha própria curiosidade em conhecer aquela prática de fé. Ela me preparou. Deu-me alguns livros de Allan Kardec. Li-os e tive uma ligeira sensação de que aquilo era um tanto quanto fantasioso. Mas precisava confirmar. Fui, na ânsia, hoje sei, de vislumbrar algo sobrenatural.
Cheguei na sala e um rapaz, bastante simpático, começou a explicar o que era o Espiritismo, mediunidade, reencarnação etc etc etc.
Ouvi com atenção. Mas aquilo tudo me soou pueril. Pueril demais!
Segurei o riso e fui receber os passes. Veio uma mulher e “tocou a minha aura”. Tudo muito dramaticamente, num ambiente que se queria místico.
Sai dali me questionando sobre o porquê de tanta gente levar o Espiritismo tão a sério. Eu tinha dezenove anos e vi que o Kardecismo é uma barca furada. E nem precisei pesquisar.
Mais tarde, ao tomar contato com a história e com o arcabouço doutrinário do Espiritismo, compreendi a fraqueza dessa fé. E percebi que a ignorância não está apenas em não saber algo, mas principalmente em se deixar iludir e querer ser manietado. Apesar de apregoar ser racional, o Kardecismo não resiste à lógica. É uma crença contraditória, cheia de rombos de lógica.
Fosse um filme, o Espiritismo seria uma produção de Ed Wood: cheia de erros de continuidade e com efeitos especiais tosquíssimos.
Mas isso não significa que tal crença seja inocente. O erro jamais é inocente…

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