Os homens reclamam de Deus e de seu infinito silêncio. Gritam e se debatem: “por que Ele não fala? Por que se cala diante de um mundo tão perturbado?”.

 

Deus permanece calado e alguém alardeia: “se Ele está silente é porque não existe”. É mais fácil crer em Sua inexistência, do que encarar o Seu imenso silêncio.

 

O que Deus estará tramando em seu silêncio? O que espera de nós?

 

De dentro das catedrais de concreto e empáfia, alguns se dizem porta-vozes de Sua verdade. Repetem as frases antigas como se fossem palavras mágicas. Criam efeitos. Promovem hipnoses. Catárticos, choram lágrimas de grande impacto visual. E gritam, e são estridentes. A fé, querem alguns, é uma frenética latomia.

 

Mas Deus é silente. Não move um músculo de Sua face, pensam os filósofos. Deus chora por nós, repetem os carismáticos. E quem partiu não volta para explicar o que Deus quer de nós.

 

“Não existe!”, gritam alguns. “Existe!”, rebatem os torcedores contrários.

 

E o silêncio de Deus estremece o mundo. E Ele é. E será. Ele permanece.

 

De fato, o homem só percebe que Deus é, quando também silencia. E apura os ouvidos para ouvir a canção-poesia, o mistério de existir. Se estamos aqui não é por acaso.

 

Os animais não pensam se Deus existe. Nós pensamos Deus e nos pensamos.

 

O que será de nossos ouvidos, quando Deus decidir falar?