Meu pai se foi. Partiu no sábado dia 19 de julho de 2008, às 9h da manhã. Morreu em casa. Foi um dia bonito de sol.

Viveu uma vida simples, sem nada de épico, grandioso. Foi um homem de poucas posses e, ouso dizer, sem ambições. Morreu aos 89 anos. Morreu como viveu: silenciosamente. Se falou muito, foi às portas da morte, por causa da doença que o afligia. A morte veio silenciar a sua dor.

Olhei o corpo de meu pai, logo após a sua passagem, e ele parecia dormir. Segurei seu pulso: não acreditava que o seu sofrimento havia cessado.

Senti a dor da perda. Uma coisa dorida. Uma sensação brutal de inutilidade. Não havia como reverter a viagem. Chorei mais do que poderia supor.

Ainda sinto um quê de vazio. Algo em mim se quebrou. Já sabia da morte, mas sob o manto de ela ocorrer na casa alheia. Meu pai morreu na casa que também é minha. E morreu muito perto de mim: não vi o seu último suspiro por puro medo. Minha mãe é que lhe segurou a mão. E eu, lá fora, não sabia o que pensar.

Confesso que a morte me acovarda. Tenho medo. Penso em meus filhos: é inevitável a morte, mas que não seja hoje. Meu pai, ao morrer, literalmente descansou. Quando o corpo de meu pai chegou em casa para o velório, uma vizinha disse que o semblante dele era sereno. Olhei e, de fato, meu pai parecia sossegado, feliz em sua morte. Se é para morrer, que não seja na solidão. E minha mãe e eu estivemos próximo a ele em seus últimos momentos.

Ainda estou com a sensação de perda na alma. Parece que as coisas perdem o gosto. Há silêncio em mim. No entanto, a vida se arremessa pela janela: o mundo se move. E eu começo a me movimentar para um novo ciclo em minha existência.