Em jornalismo, a pauta é a orientação que os repórteres recebem, descrevendo que tipo de reportagem será feita, com quem deverão falar, como e onde. Vale dizer que nem sempre a pauta é escrita e premeditada. Ao ver um incêndio, um repórter já encontrou a sua pauta. Antes, nos jornais, havia a figura do pauteiro; hoje, são os editores e sub-editores que elaboram as pautas, que são discutidas com os repórteres.

Aos repórteres, cabe elaborar que tipo de abordagem será feita, podendo até acrescentar elementos ou mesmo modificar o rumo da pauta. Recentemente o repórter Marcos Losekann, da Globo, foi fazer uma reportagem sobre uma lanchonete no Líbano e, enquanto faziam filmagens, foram seqüestrados por membros do Hezbollah, para “prestarem esclarecimentos”. O fato fez com que o repórter mudasse a sua pauta.

A crítica mais contundente à imprensa nos tempos hodiernos recai exatamente sobre as pautas selecionadas pelos editores e sub-editores dos jornais e agências de notícias. Antes os mestres do jornalismo buscavam a imparcialidade, ou seja, buscar os dois lados da notícia, mostrar a amplitude do fato para que o leitor, ou ouvinte, ou espectador tirasse a sua própria conclusão. É fato que a imparcialidade plena não existe. Por mais que tente, o jornalista está preso a uma ou outra visão de mundo e, por conseguinte, acaba por refletir tal visão. Em um mundo ideal, o jornalista deveria mostrar aos seus leitores qual é o seu viés ideológico. Mas não é assim que a banda toca…

A idéia deste artigo me veio por estranhar a postura da imprensa brasileira na cobertura das eleições presidenciais americanas. Parece que há um só candidato e, o que é pior, ele já está virtualmente eleito: é o democrata Barack Obama. Não se fala sobre John McCain. Não vi nenhuma capa (posso estar enganado…) com a figura rotunda e bonachona de McCain. Ele tem sido apenas o candidato que vai ficar em segundo. Ele não tem opinião. Ele é quase invisível.

herói da imprensa tupiniquim!

Obaman: herói da imprensa tupiniquim!

Já Obama vem sendo cantado em verso e prosa. É o primeiro negro com chances reais a chegar na Casa Branca. Fez uma turnê bastante aplaudida na Europa. É casado com uma mulher de personalidade forte. É um cara legal, enfim. Os jornais e revistas brasileiros parecem fazer campanha para o candidato democrata.

McCain só aparece quando fala de Obama.

o homem invisivel?

McCain: o homem invisível?

O que ninguém procura investigar é por que Obama vem rolando ladeira abaixo nas pesquisas. As últimas notícias do Gallup informam que McCain ultrapassou em 2% o candidato Obama. Ou McCain está fazendo uma campanha espetacular ou a rejeição a Obama é uma realidade crescente. No entanto, a convenção democrata ganha ares de evento olímpico e, da forma como é tratada pela imprensa tupiniquim, parece certa a vitória de Obama.

Recentemente a Câmara dos Deputados retirou do projeto que cria a Lei Nacional de Adoção a expressão “casal homoafetivo”. Soube disso por meio de alguns blogs de direita, pois a grande imprensa deixou tal fato transcorrer in albis. Mas, no domingo, o “Fantástico”, da Rede Globo, mostrou a adoção de uma menina por um casal gay de maneira muito positiva. Aliás, a causa gay é sempre tratada por um prisma positivo, colorido, pela nossa imprensa. Da mesma forma, as questões relacionadas ao aborto. Em outras palavras: para a maior parte dos pauteiros, editores e sub-editores da grande imprensa brasileira, o que for de esquerda é bom; o que for conservador é mau; o que for de direita é mau; o que for religioso (leia-se católico) é intrinsecamente mau.

Só na blogosfera é que ainda encontramos as vozes dissonantes.

Graças a Deus!