O texto abaixo é de autoria do Eduardo Nunes, do blog Periscópio (http://operiscopio.wordpress.com) e é uma paulada na moleira dos que acreditam na tal educação progressista. Deleite-se!
Ontem, o C. Cardoso escreveu um post sobre a Educação, o Universo e Tudo Mais, destacando a pobreza do nosso ensino e, por extensão, a tosquice da nossa economia em relação a outros países.
Pouca gente sabe, mas o ensino no Brasil só é tão ruim porque é bom demais.
Sim, você não sabia? Nós temos a melhor educação do mundo, segundo os pedabobos pedagogos e antropólogos imbecis nefelibatas que ditam os rumos.
Todos lembram daquele padrão de escola tradicional: carteiras enfileiradas, alunos em silêncio e de cabeça baixa, todos vestidos em tons escuros, todos escrevendo, escrevendo, escrevendo. A professora, deus-nos-livre! Mulher implacável, juíza do bem e do mal, pronta para punir qualquer gaiato que pergunte as horas ao colega ou que deixe de copiar para ler um romance de faroeste. Sentada na sua cadeira, ela fiscaliza tudo, espreitando por cima dos óculos. De repente, levanta e dispara a pergunta à queima-roupa: Joãozinho, quem descobriu o Brasil?
Num belo dia (ou em vários belos dias, pois falamos de várias pessoas em tempos diferentes), pensadores pensaram demais e concluíram que esse modelo de escola é prejudicial, pois limita, oprime, tolhe, molda, cerceia, escraviza, atrofia as pobres mentes das criancinhas. Repetir que “bê mais a é igual a bá” virou pecado dos gravíssimos. Falar de coisas de fora do contexto imediato do aluno tornou-se delito passível de pena de morte. Decorar regras de gramática, a tabuada y otras cositas passou a ser considerado crime contra a humanidade.
No Brasil, muita gente entrou em polvorosa com essas teorias. Estava aí a saída! E tivemos um agravante bastante… grave: o país era regido por uma ditadura militar de direita, que coordenava a rede de ensino. Logo, a educação tradicional passou a ser identificada como instrumento de doutrinação do regime (e realmente era, até certo ponto). Logo, ser contra a ditadura significava ser contra o bê-a-bá, contra decorar a tabuada, contra fazer ditados e sabatinas.
Findo o regime militar, tratou-se de implodir o modelo vigente de ensino. Era cool ser progressista, ser construtivista, ser interacionista, ser freireano, ser piagetano, etc. O importante era que a escola fosse prazerosa e que se aprendesse “CONSTRUINDO O CONHECIMENTO”. Punir a indisciplina dos alunos foi confundido com autoritarismo de direita. Reprovar os que não aprendem foi confundido com autoritarismo de direita. Escrever as notas abaixo da média com caneta vermelha também não pode, pois traumatiza os coitadinhos, além de ser autoritarismo de direita. Mandar decorar as capitais dos Estados do Brasil, adivinhe: é autoritarismo de direita. Cantar o Hino Nacional, então, é o mais terrível exemplo de autoritarismo de direita! É coisa de milico! “Tradicional” virou xingamento, tornou-se sinônimo de “Fascista”
Temos, desde então, a melhor educação do mundo inteiro. Sim, do mundo inteirinho. Nossos métodos são inovadores e sintonizados com a vanguarda do pensamento pedagógico. Nossos alunos não podem mais ser punidos, pois temos a legislação “mais moderna do mundo” para a área. Privilegiamos a riqueza da experiência dos educandos, a construção pessoal e prazerosa do conhecimento, e nossos alunos nunca estiveram tão mal. Nunca, em toda a História.
Quem é professor sabe: a maioria dos estudantes brasileiros sai da 8ª série sem capacidade para resolver um problema matemático de 4ª série ou para entender um texto infantil. Eles não ficam mais lendo romances de faroeste na sala de aula, porque simplesmente não lêem mais nada. Escrever, então, nem pensar. Eles cometem tantos erros de ortografia e concordância, são tão incapazes de se expressar por escrito, que poderiam ser considerados analfabetos no sentido clássico, e não “analfabetos funcionais, como reza a atual nomenclatura. É duro admitir, mas foi nisso que a Educação Progressista nos transformou: num país de analfabetos.
Ao mesmo tempo, citam-se os exemplos de países que vão bem na educação, como a Finlândia, a Coréia do Sul, o Japão. Entrem numa sala de aula desses países e vejam se lá essas teorias de merda libertadoras têm vez. E não adianta dizer que a educação de lá é melhor por causa do dinheiro e da tecnologia. A educação dos países de ponta é melhor porque lá se sabe que só aprende quem estuda. Lá a educação é voltada para RESULTADOS, pois SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM. Eu disse: SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM.
Vivemos aqui também um boom tecnológico. A tal inclusão digital já chegou nas periferias. Quase todos os meus alunos pobres usam computador, seja em casa ou nas lan houses. Mas usam apenas para acessar o Orkut (onde escrevem coisas como “eu é minha amiga adoro ela nós samos show” e o MSN (onde usam nicks como “ale to na pista pra negosio“). Não nos falta tecnologia. Falta rumo.
O futuro da Educação está numa volta ao passado. Não para andarmos pra trás, mas para voltarmos a fazer coisas que antes davam certo, adaptando-as ao invés de implodi-las. Comparem um aluno de 4ª série dos anos 50 com um aluno de 8ª série de hoje e veremos qual é o modelo que realmente funciona.


1 comment
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Novembro 10, 2008 às 11:26 am
Gisele
Ainda bem que existe seres pensantes no meio de um mar de ignorantes “funcionais”…
Te parabenizo por esse texto é justamente o que nós professores pensamos.
…mas você sabe como é que é…professor não pode pensar muito senão pode ser acusado de… “crime intelectual contra a humanidade”,
que está afiadíssima ao saber de seus direitos , mas totalmente (como se diz de uma pessoa que tem “pobrema” de memoria…hehehehe)
então é isso.
até mais.
ah! ser professor é o melhor trabalho do mundo, pois como diz um pai de aluno meu…”Ganha o salarinho sentado na sombra”
tchauuuuuuuuuuu…hehehehe