Essa imagem é para comover!!

Essa imagem é para comover!!

 

 

Muito rapidamente, entre uma zapeada e outra, vi a reportagem do Jornal da Record (16/09) sobre a descriminalização do aborto. Como já era de se esperar, a emissora do Edir Macedo já se posiciona de maneira favorável ao extermínio de crianças. No pouco que vi, a reportagem recorre à vitimização das mães que abortam (o velho papo do “açougue”) e encerra com o depoimento do médico (?) José Aristodemo Pinotti, que soltou uma pérola do nonsense:

- Sou totalmente contra o aborto, mas sou favorável à descriminalização do aborto.

Se substituirmos a palavra “aborto” por “roubo”, “assalto”, “tortura”, “pedofilia”, “genocídio” ou “estupro”, por exemplo, veremos o quanto é absurda a frase acima. Aliás, também absurda é a frase-clichê do ministro Temporão:

- O aborto é uma questão de saúde pública!

Gravidez virou doença, pensa o ministro do governo petista. Se a liberação do aborto é a garantia de que milhares de mulheres não vão morrer nas mesas dos aborteiros, deve-se também liberar o roubo. Afinal, outro dia mesmo, aqui em Porto Velho, um ladrão morreu ao trocar tiros com a polícia, e quantos ladrões morrem durante os roubos neste país? Centenas. Milhares. Sem contar os que ficam aleijados. Logo o roubo é uma questão de saúde pública. Descriminalizemos o roubo!

O ministro José Gomes Temporão é um caso estranho: trata-se de um ministro da saúde que prega a morte (dos fetos) como um bem (para a mãe). E não há saúde na morte…

Coincidentemente (ou não), mais tarde, ao zapear, dei de cara com o Programa Jogo de Cintura, do Amazonsat, cujo tema de debate era… a descriminalização do aborto! Entre os debatedores, havia uma “católica pelo direito de decidir” e uma “ativista social”, ambas interessadas no “bem” das mulheres. E um promotor de justiça, cujo posicionamento contrário à descriminalização do aborto era apresentado sempre de forma direta e contundente. Sem muitas novidades, o debate cristalizou em mim uma certeza: o discurso pró-aborto é sempre o mesmo, as razões são sempre as mesmas. Os dados estatísticos (tirados sabe-se lá de onde), idem. E as desculpas: se a maioria da população brasileira não admite o aborto, é porque falta cultura a esse povo. Segundo as abortistas, é preciso investir numa mudança de paradigmas, de percepção, e afastar o prisma religioso da questão. Repetiu-se ainda a velha história de que a mulher tem direito ao seu próprio corpo. O promotor apontou para uma questão ética: que o corpo é da mulher, isso é um fato; mas e a criança? Ela também não tem direitos? Ao fazer esse questionamento, o homem do Direito deixou claro que a questão não é tão simples como querem os abortistas. É preciso definir o momento no qual o feto passa a “ser gente” e ter direito à vida, o que é garantido pela Constituição.

Portanto o direito da mulher deve ser relacionado ao direito do bebê. Reza o velho aforismo: o direito de um acaba quando começa o do outro. Logo o direito da mulher, mãe, não pode sobrepujar o direito da criança.

A lei já garante à mulher o direito ao aborto em caso de estupro ou risco de morte. Mas tal não pode ser concedido de maneira atabalhoada justamente para que sejam evitadas as fraudes (falsos estupros etc). Como se vê, a liberação do aborto é antes de tudo uma questão ética e jurídica, indo além de um mero posicionamento religioso.

(No caso de liberação do aborto em caso de estupro, existe uma questão candente: ocorre um crime – o estupro – e sua conseqüência é uma gravidez. O estuprador, quando apanhado, é julgado e passa uma temporada na cadeia. A mulher aborta a criança indesejada. Ou seja, o estuprador cumpre pena na prisão. A vítima do estupro passa pelo trauma do aborto. E a criança, que teve o azar de ser gerada em tais circunstâncias, é condenada à morte. Sim, existe pena de morte no Brasil…)

O nobre promotor de Manaus (de quem, me desculpem, vou ficar devendo o nome…) alertou ainda sobre o Relatório Kissinger, datado de 10/12/1974. Neste relatório afirma-se que o crescimento da população mundial é uma ameaça para os Estados Unidos, e que é preciso controlá-la por todos os meios: anticoncepcionais, esterilização em massa, criação de uma nova mentalidade contra a família numerosa, investimento maciço de milhões de dólares em todo o mundo. O Brasil surge no documento como um país-chave: seu rápido crescimento econômico poderia ameaçar os interesses do governo americano, pois poderia se tornar uma grande influência na América Latina. O relatório afirma: “Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: - nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto” (Página 182). Logo, a defesa do aborto não é um exercício de boa vontade por parte de alguns bons samaritanos: faz parte de um plano político há tempos gestado nos gabinetes da Casa Branca. A própria ONU tem posicionamentos francamente abortistas. Logo, se o povo brasileiro optar pela não-liberação do aborto, mas, ainda assim, sofrer pressões externas, estaremos diante de um caso de ameaça à soberania nacional.

Como se vê não há nada de simples e fácil na discussão sobre o aborto. E as intenções dos abortistas não são as melhores: quando não são ilógicas, são cheias de segundas intenções. É importante lembrar que as organizações pró-abortos são mantidas por fundações e entidades, que investem muito dinheiro em suas atividades. E isso não é um exercício de caridade. Há interesses maiores por trás dessa discussão. O que temos é de estar bem informados. E prontos para defender o que é certo.