Fidel

O esquerdista pensa que as suas idéias são a verdade absoluta. Ele crê. E crê piamente, religiosamente, profundamente. Ele mente, mas tem tanta confiança em suas fórmulas mágicas, que , às vezes, consegue iludir até quem se julga muito preparado. Dono de um jargão todo especial, o esquerdista é facilmente detectável: ele tem boas intenções, ele é politicamente correto, ele é solidário (mas sua solidariedade não ultrapassa jamais o limite do discurso). O esquerdista, mesmo rico, defende a refroma agrária, a distribuição de rendas, as cotas para as minorias. Mas que comece com os outros! Ele se acha em um patamar moral acima dos outros, pois estes não sabem o que ele sabe. Em seu modo de encarar as coisas, os outros são vítimas do sistema e precisam ser doutrinados.

(Aliás o esquerdista é como o membro de um daqueles grupos esotéricos que pensam ter encontrado a máquina do mundo. Os de fora de seu círculo vivem a ilusão da Matrix. Os do grupo são Neo, Trinity e Morpheus.)

É sempre muito difícil dialogar com um esquerdista. Para ele, diálogo é quando ele fala e o outro concorda. Se este discorda, o esquerdista o desqualifica, pois todo aquele que não concorda com as idéias da esquerda é um lobo voraz, corrompido e corruptor. Experimente conversar com um petista de longa data!

(A velha tática: desqualifique o contendor e vença o debate!)

O esquerdista não estuda: ele ensaia um discurso pré-estabelecido. Se o seu contendor aponta as fissuras no dique desse discurso, logo é afogado por diversas acusações e ameaças. Como um milenarista, ele acredita num vir-a-ser inevitável, um tempo em que os homens serão todos iguais, principalmente na divisão das misérias (vide Cuba).

“Dai-nos a ditadura das bonanças”, ora a São Karl Marx o fiel esquerdista.

Há os esquerdistinhas, que, na falta de coisa melhor, acabaram engolindo as lorotas socialistas. Esses têm cura, bastando dar a eles um pouco mais de informação. E há o esquerdista empedernido, aquele que não dá o braço a torcer, que aceita a mentira, “por uma causa nobre”.

O esquerdista empedernido, é bom que se diga, tem uma memória seletiva. Vive cantando em versos alexandrinos os males da colonização, mas esquece os gulags soviéticos, os paredóns cubanos, o grande salto de Mao e sua míriade de mortos. Costuma a criticar o catolicismo pelas Cruzadas, pela Inquisição, pelas perseguições aos hereges, mas não sabe o que foi a Rebelião Cristera ou por que os católicos espanhóis preferiram se aliar a Franco. Para o esquerdista, Che era o cara! E o trata como um avatar, alguém elevado espiritualmente. E aplaude as sandices de Chavez, Fidel e Ortega. Para o empedernido da esquerda, todo sentimento religioso de fundo judaico-cristão é fanático e fundamentalista. Por isso, tem de ser combatido em nome da paz universal… Esse esquerdista tolera o islamismo, o budismo, o bramanismo, o animismo, a crença nos duendes, a wicca etc, pois vê nessas manifestações religiosas coisas muito positivas. Até a astrologia é bem vista. O cristianismo e o judaísmo, não! Pois, segundo ele, ambos não têm base.

Eis um retrato um tanto maldoso, mas não de todo irreal, do esquerdista.

É preciso deixar bem claro que o esquerdista, quase sempre, não sabe que é assim…